Garoto vestido como índio, o símbolo da TV Tupi e Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, em cena de 'Sua vida me pertence', primeira telenovela brasileira (1951) — Foto: Divulgação/Site do artista
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Aniversariante do dia! Televisão completa 70 anos no Brasil

A televisão completa 70 anos no Brasil nesta sexta (18). Para celebrar o aniversário, veja uma lista com algumas vezes que a TV inovou em estilo, tecnologia e programação.

Nasce a TV no Brasil

Garoto vestido como índio, o símbolo da TV Tupi e Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, em cena de ‘Sua vida me pertence’, primeira telenovela brasileira (1951) — Foto: Divulgação/Site do artista

“Boa noite. Está no ar a televisão do Brasil!”

Assim, uma logomarca com um pequeno índio anunciava a primeira transmissão brasileira, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi.

O empresário e jornalista Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, foi também o primeiro difusor dos aparelhos em um país que já tinha a tecnologia, mas carecia de famílias com recursos para comprá-los.

Nos bastidores, a emoção tomou conta de todos, dos atores aos técnicos. A atriz Vida Alves (1928-2017) disse, em 2010, que o dia pode ser resumido na frase simpática do câmera Élio Tozzi: “se houvesse uma mosca ali, ela estaria em silêncio e emocionada”.

Mazzaropi foi o primeiro humorista a se apresentar na televisão brasileira — Foto: Reprodução/TV TEM

A TV brasileira já começou com muita variedade de programação porque importava os sucessos do rádio. O primeiro humorístico estreou em 20 de setembro de 1950: “Rancho Alegre”, que levava Mazzaroppi para a telinha. Paulista e descendente de italiano, Amácio Mazzaropi foi o grande nome do humor na TV na década de 1950 e só deixou seu programa para se dedicar ao cinema, em 1954.

Outras emissoras

A TV Tupi só ganhou concorrência dois anos depois, quando a TV Paulista estreou em 1952. A partir de então, o negócio deslanchou: em 1953, estreou a TV Record; em 1955, a TV Rio; Em 1959, a Excelsior; e em 1965, a TV Globo.

 

Notícias na TV

Imagens do dia’, primeiro telejornal brasileiro — Foto: Reprodução

No dia seguinte à inauguração da televisão, entrou no ar o primeiro telejornal brasileiro: “Imagens do dia”. Com uma logomarca e narrações como off para imagens, ele narrava os acontecimentos do dia.

Mas o gênero só ganhou o público e muitos pontos de audiência com a estreia do “Repórter Esso”, já famoso no Rádio. Ele foi ao ar na Tupi de 1952 até 1970, apresentado pelos fenômenos do rádio: Kalil Filho e Gontijo Teodoro. Sem tecnologia que permitisse integrar o sinal entre os estados, os jornais eram regionais e cada cidade tinha sua própria edição do “Repórter Esso”.

A hora e a vez das novelas

O ator Walter Forster e a atriz Vida Alves em cena de ‘Sua Vida me Pertence’, novela de 1951 — Foto: Divulgação

Famosas e amadas no rádio, as novelas não demoraram para chegar também à TV. Em 21 de dezembro de 1951, “Sua vida me pertence” inaugurou o gênero que se tornou o principal produto da televisão e paixão nacional.

A trama tinha só 15 capítulos e foi exibida ao vivo, já que ainda não havia recursos de gravação, o famoso videoteipe. Ela ia ao ar duas vezes por semana, às terças e quintas. Escrita, dirigida e protagonizada por Walter Forster, teve no elenco Vida Alves, Lima Duarte e Lia de Aguiar.

Os brasileiros só ganharam um novela diária em 1963, quando estreou “2-5499 ocupado” na TV Excelsior, adaptação de uma história argentina. Tarcísio Meira e Glória Menezes eram o casal apaixonado: ela era uma presidiária que, apenas pelo telefone, fazia o galã se apaixonar.

O elenco enxuto, formado por nove atores, e a história simples já foram suficientes para ganhar o Brasil: graças ao videoteipe, a novela foi gravada e enviada para todos os estados com afiliadas da Excelsior. E graças à novela, Tarcísio e Glória se tornaram o casal mais celebrado da televisão.

E haja cor!

Cenas da novela, dos anos 1970: Paulo Gracindo e Lima Duarte nos mesmos papéis. — Foto: Divulgação

Foram necessários 20 anos até que a televisão finalmente pudesse ser transmitida ao vivo e a cores na casa dos brasileiros.

A virada para a década de 1970 marcou também os primeiros testes para transmitir imagens coloridas. A primeira tentativa bem-sucedida ocorreu em 19 de fevereiro de 1972, quando os espectadores assistiram a cobertura da Festa da Uva em Caxias do Sul. A escolha da uva não foi fruto do acaso: a festa era um evento importante no calendário turístico brasileiro e recebia os presidentes em sua abertura.

Mas o que mais fez sucesso a cores foi mesmo a primeira telenovela colorida a ir ao ar: “O bem-amado”, em 1973, pela Globo. A novidade gerou um rebuliço entre a equipe técnica, que ainda se adaptava aos novos equipamentos e à nova linguagem. Segundo dados do “Memória Globo”, algumas cenas precisaram ser repetidas muitas vezes porque as cores saturavam e as luzes estouravam.

Em pouquíssimo tempo, equipe e elenco aprenderam e deram a volta por cima: a novela foi premiada nacional e internacionalmente e se tornou a primeira a ser exportada. Estrelada por Paulo Gracindo, com texto de Dias Gomes e supervisão de Daniel Filho, tinha no elenco Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Ida Gomes, Dirce Migliaccio e Milton Gonçalves.

*G1

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Redação Rochany Rocha

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