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Saúde

Saúde da mulher: menstruação e fluidos femininos

Apesar das conversas sobre saúde íntima terem evoluído na sociedade, há uma repetição de clichês ao abordar este assunto. Ao tentar quebrar tabus, muitas vezes o mercado cria mais estigmas e imperativos, como se as mulheres precisassem enfrentar o mundo durante a menstruação.

Muito se fala sobre saúde da mulher, porém, ainda existe um tabu quando o tema envolve os fluidos femininos. Apesar das conversas sobre saúde íntima terem evoluído na sociedade, há uma repetição de clichês ao abordar este assunto.

E, mais profundamente: ao tentar quebrar tabus, muitas vezes o mercado cria ainda mais estigmas e imperativos, como se as mulheres precisassem ser “guerreiras” e enfrentar o mundo durante a menstruação. O que queremos é que essas mulheres se sintam livres e, não, presas em novos padrões.

Mais do que conhecer a própria menstruação, incentivamos as mulheres a conhecerem cada vez mais sobre seu ciclo completo — com sangue, muco, suor etc.

Falar sobre saúde feminina como um todo é essencial para que mais mulheres entendam o funcionamento do próprio corpo e criem uma relação de autoaceitação e cuidado, e nós precisamos estimular essa conversa.

Cientistas e médicos há muito tempo estudam fluidos corporais em busca de pistas sobre nossa saúde. A novidade é que estas secreções revelam mais segredos sobre nossos corpos do que suspeitávamos.

Falar sobre o assunto pode ajudar milhões de mulheres a se conhecerem melhor, a buscarem o diagnóstico de especialistas quando observarem algo fora do normal e, até mesmo, na prevenção de doenças que podem evoluir caso não identificadas logo no início.

Coletor Menstrual: o que é e como usar

Segundo a Sociedade Brasileira de Ginecologia, uma mulher menstrua entre 400 e 500 vezes durante a vida. E já que o ciclo é algo tão recorrente, nada mais necessário do que entendermos sobre o assunto mais a fundo. O sangue menstrual tem diversos tons e nem toda menstruação desce vermelha.

Isso porque não é apenas sangue eliminado, mas, também, uma mistura do plasma com muco e partículas do revestimento do útero. São estes tons que manifestam como está a saúde do sistema reprodutor feminino. Além disso, qualquer evidência de um corrimento anormal — como a cor e odor, por exemplo — pode indicar uma infecção vaginal ou uma doença sexualmente transmissível.

Foi pensando em quebrar estes paradigmas sobre fluidos que criamos a campanha Deixa Fluir, que se faz tão necessária nos tempos atuais: para abrir ainda mais diálogos sobre a saúde feminina e convidar mulheres para conhecerem mais seus corpos, já que, desde pequenas, muitas meninas são ensinadas a reprimir e esconder qualquer questão que envolva a região da vagina, um caminho bem diferente do que acontece com os meninos, que são sempre ensinados a valorizar sua região íntima.

Nosso movimento é justamente para que as mulheres aceitem seus fluidos e corpos da forma que são, sem gerar expectativas surreais.

Queremos promover um movimento verdadeiro de aceitação, estimulando de uma forma disruptiva essa busca, já que ainda existem tabus e discursos que fazem com que muitas mulheres repudiem o contato com seus fluidos e corpos.

Deixa Fluir, por carregar o objetivo de libertar as mulheres rumo a uma relação mais íntima e livre com os fluidos, vai além e também traz visibilidade a assuntos tão emergenciais como a dignidade menstrual.

Segundo nossa pesquisa realizada esse ano, 41% das brasileiras convivem com o tema da pobreza menstrual, e a falta do acesso básico à higiene entre pessoas que menstruam leva a consequências como ausências recorrentes na escola e a necessidade de usar jornal, papelão e miolo de pão no lugar de absorvente, o que traz sérios problemas para a saúde.

Falar de saúde não é uma novidade para nós, bem como contribuir com causas que estimulem o progresso feminino. Para isso, sabemos a importância de educar a população sobre saúde e higiene e, assim, questionar tabus sobre a temática.

*O Globo

Sobre o Autor

Redação Rochany Rocha

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